A niacina (vitamina B3) está envolvida na conversão de alimentos em energia, manutenção dos níveis de colesterol e açúcar no sangue, circulação sanguínea, saúde da pele e das articulações, trato digestivo e na preservação do sistema nervoso e função cerebral.
Confira como esta importante vitamina do complexo B favorece o organismo, os riscos relacionados ao seu consumo excessivo e sua deficiência, e dicas de alimentos ricos neste nutriente!
O Que É A Niacina?

A niacina é uma vitamina hidrossolúvel pertencente ao complexo B, também conhecida como vitamina B3 ou ácido nicotínico. Na verdade, niacina é o nome genérico do ácido nicotínico (ácido piridina-3-carboxílico), nicotinamida (niacinamida ou piridina-3-carboxamida) e derivados relacionados, como o ribosídeo de nicotinamida.
A descoberta desta vitamina foi feita por Hugo Weidel no ano de 1873, em meio a um estudo sobre a nicotina. Anos depois, Casemir Funk, que criou o termo “vitaminas”, conseguiu extrair a niacina. Curiosamente, Funk pensava se tratar da tiamina (vitamina B1), e não da niacina.
Em 1937, Conrad Elvehjem isolou a niacina do fígado e identificou um ingrediente ativo capaz de auxiliar na cura da pelagra – doença causada pela deficiência grave desta vitamina, que originalmente ficou conhecida como ácido nicotínico. Nos anos seguintes, outras de suas propriedades (como o auxílio no controle do colesterol) foram identificadas. Então, foi renomeada para evitar a confusão com o composto danoso nicotina, e passou a ser adicionada em formulações alimentícias.
Dentre os benefícios que oferece à saúde, está sua atividade anti-hiperlipidêmica, que diminui os níveis de lipoproteínas de densidade muito baixa e lipoproteínas de baixa densidade, enquanto aumenta os níveis de lipoproteínas de alta densidade. Por isso, acaba sendo relacionada com o controle do colesterol e redução do risco de doenças do coração.
Ela também favorece a regulação dos níveis de açúcar no sangue, a respiração celular, a manutenção dos níveis de energia, saúde articular, síntese de determinados hormônios, formação de glóbulos vermelhos, digestão, controle de inflamações da pele, função cognitiva e mais.
A conversão da niacina no organismo
No corpo, todos os tecidos convertem a niacina em nicotinamida adenina dinucleotídeo (NAD), uma coenzima que consiste em sua principal forma ativa e é necessária para mais de 400 enzimas que catalisam reações no organismo. Esta coenzima também é convertida em outra forma ativa chamada nicotinamida adenina dinucleotídeo fosfato (NADP) em todos os tecidos, com exceção do músculo esquelético.
Essas coenzimas desempenham um papel importante na respiração dos tecidos e no metabolismo de glicogênio, lipídios, aminoácidos, proteínas e purinas.
O NAD está principalmente envolvido em reações catabólicas que transformam a energia potencial de carboidratos, gorduras e proteínas em trifosfato de adenosina (ATP), além de funções celulares envolvidas com a manutenção da integridade do genoma, controle da expressão gênica e comunicação celular.
Além de serem cruciais para o armazenamento de energia, as moléculas de NAD são necessárias para a síntese de DNA nas células, sendo que a interrupção da criação da molécula de NAD pode causar malformações. Por isso, aumentar os níveis de vitamina B3 durante o período de gestação pode reduzir as taxas de defeitos congênitos.
Já o NADP é necessário para a ocorrência de reações anabólicas, como a síntese de colesterol e ácidos graxos, e desempenha um papel crítico na manutenção da função antioxidante celular.
Os alimentos que contêm niacina geralmente a apresentam na forma de ácido nicotínico e nicotinamida, mas existem alguns que contêm NAD e NADP em quantidades reduzidas. É válido mencionar que o aminoácido triptofano também pode ser convertido em NAD, principalmente no fígado (em uma proporção aproximada de 1mg de niacina a partir de 60mg de triptofano).
Benefícios Oferecidos Pela Niacina

Controle do colesterol
Foi descoberto que a alta dosagem de niacina (em quantidades superiores a 100 vezes a indicação de consumo diário) pode reduzir os níveis sanguíneos de colesterol LDL (“ruim”) e triglicerídeos, e elevar os níveis de colesterol HDL (“bom”). Alguns estudos mostram que este efeito pode ser, até mesmo, equivalente ao proporcionado por medicamentos utilizados para este objetivo.
Devido a esta característica, muitos estudos avaliam o potencial da vitamina B3 em beneficiar a saúde cardíaca como, por exemplo, favorecendo a prevenção contra ataque cardíaco, derrame, aterosclerose, morte cardíaca e outras complicações.
No entanto, é válido observar que diversas evidências científicas indicam que a suplementação de niacina melhora os perfis de lipídios no sangue, mas não tem efeitos significativos no risco de eventos cardiovasculares. Portanto, ainda são necessários mais estudos para que os benefícios da niacina para o coração sejam seguramente afirmados.
Benefícios relacionados a diabetes
Como mencionado, a niacina ajuda a prevenir anormalidades nos níveis de lipídios, um sintoma comum em pacientes com diabetes. Além disso, na forma de nicotinamida, pode ter efeitos benéficos a favor da remissão clínica em casos de diabetes tipo 1.
Um estudo de intervenção na Nova Zelândia usando tratamento com nicotinamida mostrou uma redução de 50% no desenvolvimento de diabetes mellitus insulino-dependente em um período de 5 anos.
Alguns estudos mostram que, na forma de niacinamida, a niacina pode melhorar a função de células responsáveis pela produção de insulina, o que também é favorável em relação a sintomas da diabetes.
No entanto, é importante mencionar que a niacina parece tanto colaborar quanto prejudicar diferentes organismos com relação ao controle dos níveis de açúcar no sangue. Então, como os efeitos da vitamina B3 em pacientes diabéticos podem variar, é recomendado que sua maior ingestão por meio da alimentação ou suplementação tenha orientação médica.
Saúde das articulações
Na forma de niacinamida, a vitamina B3 também pode melhorar a saúde articular.
Estudos mostram que aumentar o consumo desta vitamina pode reduzir dores nas articulações, melhorar a mobilidade e diminuir a inflamação que pode causar condições como a osteoartrite.
Além disso, um estudo conduzido pelo Office of Alternative Medicine no National Institute of Health relatou que a suplementação de niacina contribuiu com todos estes benefícios e ainda diminuiu a necessidade de analgésicos.
Saúde da pele
As propriedades da niacina combatem a inflamação da pele, bem como surtos, vermelhidão e irritação. Na forma de niacinamida, também é indicada para tratamentos de limpeza da acne.
Além disso, a vitamina B3 também é aplicada em tratamento de doenças de pele como penfigoide bolhoso e granuloma anular, problemas que causam bolhas na pele e aumentam os riscos de infecção.
Prevenção da disfunção erétil
Algumas pesquisas indicam que as propriedades vasodilatadoras da niacina, que beneficiam o corpo inteiro, ajudam na prevenção e tratamento da disfunção erétil moderada e até avançada. Além disso, a niacina promove a síntese de hormônios sexuais.
Alguns estudos indicam que dosagens diárias de 1500 mg niacina são suficientes para melhorar a função sexual em homens que sofrem de impotência.
Um estudo avaliou a combinação de niacina com l-carnitina e l-arginina, e verificou uma melhora significativa em pacientes com disfunção erétil.
Um estudo realizado pela Universidade de Hong Kong também verificou que a ingestão diária de vitamina B3 melhorou casos de impotência em homens em função da melhora da circulação sanguínea, além de melhorar a disposição sexual.
Saúde do fígado
A niacina inibe o fluxo de ácidos graxos do tecido adiposo para o fígado, reduz a síntese hepática de triglicerídeos e aumenta a oxidação lipídica hepática. Assim, a niacina pode ter um papel na regulação do conteúdo de gordura do fígado em humanos.
Um estudo mostrou que a maior ingestão de niacina modula favoravelmente o conteúdo de gordura do fígado e sugere que um maior consumo de niacina com objetivos terapêuticos pode auxiliar no combate a esteatose hepática.
Saúde do cérebro
A niacina também colabora com a energia disposta para o desenvolvimento e funcionamento do cérebro, e este é um dos motivos que uma dieta que contemple boas quantidades desta vitamina ter relação com a melhora das funções cerebrais e prevenção de problemas como névoa cerebral e até mesmo demência e esquizofrenia.
Múltiplas enzimas dependentes de NAD estão envolvidas na plasticidade sináptica e resistência neuronal ao estresse. Na verdade, o NAD suporta vários processos celulares importantes que podem proteger os neurônios e, desta forma, também contribui com processos de neutralização em doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.
É válido mencionar que durante o envelhecimento normal, níveis mais baixos de NAD são observados em tecidos. No entanto, condições que levam ao envelhecimento precoce também têm influência na redução dos níveis de NAD.
O NAD e o NADH têm emergido como mediadores comuns do metabolismo energético, funções mitocondriais, homeostase do cálcio, envelhecimento e morte celular. Como a falha de energia, a desregulação do cálcio e a morte celular são causas significativas de danos aos tecidos iniciada pela isquemia cerebral, diversos estudos mostram que é provável que o NAD e o NADH desempenhem papéis significativos no dano cerebral isquêmico. No entanto, ainda são necessárias maiores comprovações sobre estes benefícios associados ao NAD a ao NADH na lesão cerebral isquêmica.
Além destes benefícios para a função cerebral, alguns estudos mencionam efeitos terapêuticos da niacina para sintomas depressivos, bipolaridade e outros transtornos psiquiátricos.
Fontes De Niacina

A niacina está presente em boas quantidades em diversos alimentos, principalmente em opções de origem animal.
Confira algumas boas fontes desta vitamina:
- Frango orgânico
- Fígado de boi
- Atum, salmão e sardinha
- Sementes de girassol
- Abacate
- Ervilha
- Cogumelos
- Batata-doce
A niacina é uma vitamina solúvel em água e, por isso, quando consumida em maiores quantidades por meio dos alimentos, é excretada naturalmente pela urina e sua toxicidade é evitada.
Já a suplementação de vitamina B3 deve ser sempre orientada por médico ou profissional habilitado, pois quando sua alta dosagem ocorre de maneira que o corpo não consegue eliminar seu excesso, pode causar sintomas relativos à individualidade do organismo e outros gerais, como:
- Vermelhidão
- Irritação estomacal
- Náuseas
- Problemas no fígado
- Aumento dos níveis de açúcar no sangue
- Maior risco da ocorrência de gota
Deficiência De Niacina

A deficiência de niacina pode ocorrer pela baixa ingestão de alimentos que a possuem, bem como pela falta de ingestão de triptofano.
Alguns dos principais sintomas desta carência nutricional incluem inchaço na membrana mucosa, que afeta boca, língua, uretra e vagina, aumento da salivação e úlceras. Também eleva o risco de problemas digestivos, estomacais, cutâneos, e de sintomas depressivos, problemas cognitivos e outros ligados à saúde cerebral e psicológica.
Uma deficiência grave de vitamina B3 leva a uma condição conhecida como pelagra, uma doença caracterizada por sintomas como erupção na pele pigmentada, descoloração marrom após exposição à luz e pele áspera e bronzeada. Também pode causar vermelhidão na língua e alterações no trato digestivo que podem causar vômitos, diarreia e constipação.
Neurologicamente, a pelagra pode causar depressão, apatia, dor de cabeça, fadiga, perda de memória, alteração comportamental, alucinações. Além disso, conforme a progressão da pelagra, a anorexia pode ser desenvolvida.
A Organização Mundial da Saúde recomenda o tratamento da pelagra com 300 mg / dia de nicotinamida em doses divididas por 3-4 semanas junto com um complexo B ou produto de levedura para tratar prováveis deficiências em outras vitaminas B.