Todos os anos milhões de pessoas entram em dieta. Juntas, elas gastam bilhões de dólares em produtos para a perda de peso. Em média, essas pessoas tentam eliminar a gordura indesejada pelo menos uma vez a cada trimestre, mas pesquisas demonstram que 95% delas a recuperam de volta antes mesmo que o ano termine. Quais seriam os motivos que levam a resultados tão pouco otimistas quando o assunto é perda de peso?
Segundo a nutricionista Adriana Azank, especializada em Nutrição de Precisão, isso acontece porque mais difícil que emagrecer é sustentar dieta e o peso alcançados. Ter força de vontade para manter hábitos saudáveis é mais desafiador do que segui-los por pouco tempo, especialmente se a pessoa já conseguiu emagrecer o tanto que gostaria.
Pesquisas demonstram que, logo após perderem peso, as pessoas apresentam alterações hormonais que aumentam o apetite, desaceleram o metabolismo e fazem com que o corpo elimine menos gordura. Essas alterações persistem pelo menos um ano após o fim da dieta, fazendo com que muitos indivíduos voltem a engordar nesse ínterim.

Os nossos esforços na perda de peso estão condenados a falhar?
Não há dúvidas de que o estilo de vida é peça chave na gênese da obesidade, entretanto o fator genético também exerce um papel importante nesse sentido, pois o DNA de algumas pessoas favorece o ganho excessivo de peso.
Atualmente conhecemos alguns genes que predispõem os indivíduos para o excesso de peso. Exemplo disso é o gene FTO (fator de risco para a obesidade), responsável pelo funcionamento de outros genes que controlam o apetite, a ingestão alimentar e o gasto energético.
Recentemente, um estudo publicado na revista New England Journal of Medicine revelou que uma versão “defeituosa” desse gene faz com que a célula tenha mais facilidade em armazenar gordura. Foi descoberto que pessoas com essa variação genética possuem células do tecido adiposo que aumentam de tamanho com facilidade, menos mitocôndrias e menor capacidade termogênica.
A variação nesse gene pode se manifestar na infância, sendo mais evidente em adultos jovens. Um outro estudo realizado no Brasil confirmou que pessoas com duas cópias defeituosas do gene (um da mãe e um do pai) apresentam uma chance 257% maior de desenvolver obesidade, já quem tem apenas uma cópia do gene defeituoso possui apenas 27% de chance em se tornar um indivíduo obeso.
Isso não significa que esse gene sozinho seja a causa da obesidade e efeito sanfona. A vida intrauterina, tipo de alimentação, nível de atividade física, infecções, sono irregular, disruptores endócrinos, estresse, microbiota intestinal, entre outros fatores, agem para ‘ligar’ ou ‘desligar’ determinados genes, tornando-os ativos ou adormecidos.
O ramo da genética que estuda essas interações é a EPIGENÉTICA, sobre o qual há grande interesse por parte do mundo científico, especialmente na busca por fontes dietéticas que possam reverter estas alterações prejudiciais e evitar o desenvolvimento de diversas doenças.
Hoje, usamos essas informações obtidas a partir de um teste nutrigenético feito em consultório para conhecer a fundo o DNA daquele paciente e definir planos alimentares individuais para cada objetivo, seja para perda de peso ou ganho de massa muscular. Através desses exames, sabemos quanto a dieta deve ter proporcionalmente de proteínas, carboidratos e gorduras e ainda avaliar a capacidade do corpo em reagir aos alimentos e ao treinamento físico. Entre outras informações, estão nas respostas a gordura saturada (presente em queijos, sorvete e maionese, entre outros alimentos), ao metabolismo da cafeína, a intolerância à lactose, glúten ou metabolização do álcool pelo organismo, indicações que comprometem toda progressão e sucesso de uma dieta.
Descobrir o perfil genético de cada indivíduo em relação à capacidade do corpo de reagir aos alimentos e treinamento físico nos dá uma direção fundamentada para obter resultados muito mais consistentes, seja na perda de peso, ganho de massa muscular ou melhora da saúde.
Por exemplo, se o corpo metaboliza mais devagar o carboidrato, a chance de acúmulo de peso é maior. Portanto, no cardápio a ser formulado, reduz-se a ingestão desse nutriente e a pessoa perderá peso com mais facilidade, ou ainda, aquele que carrega um gene associado à ingestão de sódio e maior risco para hipertensão arterial deve ser orientado a reduzir a ingestão desse mineral na dieta para prevenir ou controlar a doença.
A partir desses resultados é possível definir a dieta de forma mais assertiva, equilibrando a distribuição dos nutrientes e otimizando o funcionamento do metabolismo, o que proporcionará um emagrecimento saudável com a substituição da massa gorda por massa magra, evitando o tão temido “efeito sanfona”. Além disso, conhecer essas variáveis possibilita evitar, por meio da alimentação correta, doenças de caráter genético como doenças autoimunes, câncer, diabetes, etc.
Concluindo, ferramentas que consideram a individualidade metabólica são os recursos mais modernos dentro da Nutrição, embora não definam o tratamento de forma isolada.
A conduta nutricional deve sempre levar em conta o histórico do paciente, sua rotina, estilo de vida, fatores emocionais, entre outros. Por isso, consulte sempre um profissional habilitado e atualizado para cuidar de sua saúde e te auxiliar na busca de sua melhor versão!
Veja mais artigos como este no nosso blog.