Zinco e seu papel na Atividade Física - Novidade Saudável

Zinco e seu papel na Atividade Física

Avatar de Thais Nunes Escrito por   | 03 de abril de 2023

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O zinco desempenha papel essencial em vários processos celulares de crescimento, metabolismo ósseo, sistema nervoso central, função imunológica e cicatrização de feridas.

O zinco é necessário para a função de mais de 300 proteínas e enzimas, confere um papel estrutural em aproximadamente 2.500 fatores de transcrição de proteínas e funciona na regulação de milhares de genes. Algumas enzimas são dependentes do zinco para terem sua atividade acionada e sua função exercida.

Os exemplos de enzimas incluem as polimerases de nucleotídeos (RNA polimerases I, II e III), fosfatase alcalina e anidrases carbônicas. Além disso, as proteínas dependentes de zinco desempenham papéis indispensáveis ​​dentro das células, como regulação da transcrição proteica, reparo do DNA, apoptose, processamento metabólico, regulação da matriz extracelular (ECM) e defesa antioxidante.

Devido à multiplicidade de funções bioquímicas do zinco nas células do corpo humano, existe uma gama de sinais fisiológicos de deficiência de zinco. Esses sinais variam dependendo da gravidade da condição. Os sistemas mais afetados clinicamente pela deficiência de zinco incluem o gastrointestinal, nervoso central, imunológico, esquelético e reprodutivo.

Zinco

Deficiência de Zinco

As causas gerais da deficiência de zinco incluem ingestão inadequada, necessidades aumentadas, má absorção, aumento das perdas e utilização prejudicada. A ingestão dietética inadequada de zinco é a principal causa da deficiência de zinco na maioria das situações. 

O zinco tem o potencial de interagir com certos medicamentos. Além disso, vários tipos de medicamentos podem afetar adversamente os níveis de zinco. Indivíduos que tomam esses e outros medicamentos regularmente devem avaliar seu nível de zinco com seus profissionais de saúde.

Antibióticos: tanto os antibióticos quinolonas (como Cipro®), quanto os antibióticos tetraciclinas (como Achromycin® e Sumycin®) podem interagir com o zinco no trato gastrointestinal, o que pode inibir a absorção do zinco e do antibiótico se forem tomados ao mesmo tempo.

Penicilamina:

O zinco pode reduzir a absorção e a ação da penicilamina, um medicamento usado para tratar a artrite reumatóide e a doença de Wilson.

Diuréticos:

Diuréticos tiazídicos, como clortalidona (Hygroton® e Thalitone®) e hidroclorotiazida (por exemplo, Esidrix® e HydroDIURIL®), aumentam a excreção de zinco na urina. Essa excreção aumentada, por sua vez, diminui as concentrações séricas de zinco.

É necessário ressaltar que a deficiência de zinco é de difícil detecção por testes laboratoriais, devido ao controle rígido do seu corpo sobre os níveis de zinco. A avaliação do teor de zinco eritrocitário é a melhor maneira de dosar, porém consiste em um exame de alto valor e nem sempre disponível nos laboratórios.

Nutricionistas e médicos devem considerar outros fatores de risco – como má ingestão alimentar e genética – juntamente com os resultados do sangue ao determinar se é necessária a suplementação. 

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Sintomas de deficiência de zinco:

  • diminuição da imunidade,
  • perda de cabelo,
  • falta de apetite,
  • diarreia e
  • cicatrização lenta de feridas.

Sintomas de excesso de zinco:

  • perda de apetite,
  • dores de estômago,
  • náusea,
  • vômito,
  • diarreia,
  • baixos níveis de cobre,
  • baixa imunidade,
  • baixos níveis de colesterol “bom” (HDL).

Os sintomas devem ser consolidados com resultados laboratoriais e histórico do paciente para a determinação de um diagnóstico preciso.

A qualidade das fontes de Zn na dieta é determinada pela quantidade e biodisponibilidade deste elemento químico a partir dos alimentos. Vísceras e carne de mamíferos, aves, peixes e crustáceos constituem as fontes mais ricas de Zn por não conterem fitatos, esses alimentos representam particularmente boas fontes de Zn absorvível. Os ovos e os laticínios também são livres de fitatos, mas têm conteúdo levemente mais baixo de Zn do que as vísceras e carnes. 

Os cereais e as leguminosas contêm uma quantidade modesta de Zn, mas o alto teor de fitatos desses alimentos diminui a quantidade absorvida (Shils et al., 2016). Muitos cereais matinais são enriquecidos com zinco. Frutas e vegetais apresentam baixos níveis de Zn (NIH, 2022). 

Top 5 alimentos ricos em Zinco:

1 – Ostras

2 – Fígado bovino 

3 – Copa lombo

4 – Acém

5 – Aveia em flocos

Suplementação:

Recomendações diárias: homens: 11 mg; mulheres: 8 mg.

Limite superior: 40 mg

O zinco está disponível em suplementos contendo apenas zinco, suplementos contendo zinco em combinação com outros ingredientes e em muitos produtos multivitamínicos. Os suplementos podem conter qualquer uma das várias formas de zinco, incluindo sulfato de zinco, acetato de zinco e gluconato de zinco (NIH, 2022).  

Exemplos de suplementos

L-Optizinc – Forma orgânica complexada e patenteada 1:1 de zinco com a metionina, sob a forma de zinco mono-L-metionina sulfato, sendo o zinco 25% mais biodisponível do mercado (Instituto Ana Paula Pujol, 2019).

Gluconato de Zinco – A combinação do zinco com o ácido glucônico é utilizada como forma de suplementar zinco pela sua boa assimilação, já que o gluconato de zinco é um complexo orgânico mais fácil de absorver que o zinco elementar (NutriTienda, 2009). 

A suplementação do zinco quelado, ou seja, associado à aminoácidos como a metionina, glicina oferece maior biodisponibilidade e absorção. 

O zinco possui uma concorrência em absorção com minerais como o ferro, cobre e cálcio. Em casos de deficiência de zinco, é importante seu consumo alimentar com alimentos pobres em cobre e cálcio, ou serão concorrentes em absorção. Quando pensamos em suplementação, seguimos a mesma lógica, suplementar em refeições pobres em cobre ou cálcio para otimizar a estratégia de disponibilidade. 

Zinco no Esporte

A prática esportiva gera maior necessidade de consumo desse mineral. Mesmo que a ingestão atinja o recomendado, pesquisas indicam que a homeostase do zinco pode ser alterada em atletas, resultando potencialmente em uma maior necessidade de zinco em comparação com indivíduos fisicamente menos ativos.

Fatores que podem afetar a homeostase e as necessidades de zinco em atletas incluem: perdas de zinco na urina e no suor, bem como uma resposta inflamatória à atividade física (McClung, 2019).

Quando falamos de treinamento de força, existe a hipótese de benefícios com a suplementação do ZMA, que é um suplemento composto de zinco, magnésio e vitamina B6. Entretanto, alguns estudos mostraram que o ZMA é ineficaz para o ganho de massa e performance. Estudos também relacionam o uso do ZMA com o aumento dos níveis de testosterona e dihidrotestosterona (DHT) circulantes.

Visto coletivamente, Morton e outros mostraram que, independentemente das concentrações de hormônios circulantes, a ação do receptor de andrógeno dentro da célula muscular é o maior determinante na hipertrofia do músculo esquelético. Assim, o efeito da suplementação de zinco para o aumento de testosterona permanece sem fundamento para benefícios de hipertrofia, pelo menos em homens saudáveis (Koehler et al., 2007).

No esporte, deficiências de Zinco podem afetar o sistema imunológico e a recuperação muscular, fazendo com que o praticante reduza sua frequência de treinos e tenha redução em sua performance. 

Uma vez que o zinco é um mineral presente em diversas e acessíveis fontes alimentares, é importante a preocupação e inclusão de seu consumo adequado na dieta do atleta e do praticante de atividade física. 

Este post não substitui uma consulta nutricional.  Elaborado pela Nutricionista Esportiva Thais Nunes.

Veja mais no blog do Novidade Saudável.


Sobre o autor

Thais Nunes

Thais Nunes

Nutricionista

Thais Nunes é Nutricionista Esportiva Funcional (VP Nutrição), Especialista em Fitoterapia (ABFIT) e Saúde intestinal (Murilo Pereira). Atleta de Crossfit (Top 8 Brasil), Consultora de produtos saudáveis e Palestrante. Instagram.com/thaisnunes2nutri

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