Todos nós conhecemos alguém que perdeu peso, mas depois de um certo tempo, ganhou novamente os quilos eliminados. Isso pode acontecer por uma série de fatores como, por exemplo, dietas muito restritas que o paciente não consegue manter por longos períodos; episódios de compulsão alimentar que fazem com que o consumo de calorias seja exagerado, extrapolando o necessário para aquele momento; e a falta de atividade física que impacta bastante na ineficiência da queima da gordura.
A falta de sucesso na maioria dos processos de emagrecimento consistente pode ocorrer também por outros fatores que vão além da ação do indivíduo. A ciência vem buscando explicações e compreendeu que as pesquisas estão sendo realizadas em um cenário muito distante do dia a dia das pessoas em geral.
A orientação para perda de peso realizada por um profissional da saúde envolve seres humanos em suas vidas diárias, fazendo um esforço para mudar, que não seguem um protocolo experimental rígido e engessado e também nem recebem o amplo suporte normalmente disponível nos experimentos.
A perda real de peso e a manutenção permanecem ancoradas no comportamento do paciente (HALL et al., 2018). O suporte inicial do profissional de saúde no início do processo, bem como a sua condução correta, faz toda a diferença. Promove o caminho para o desenvolvimento de hábitos mais concretos para a manutenção de peso e a mudança no estilo de vida.
Kevin Hall, um grande pesquisador da área de obesidade da atualidade, e Scott Kahan, em um estudo (HALL & KAHAN, 2018), explicam que possíveis situações que contribuem para o reganho de peso como, por exemplo, as respostas fisiológicas do organismo que podem ser amenizadas através de estratégias viáveis que o paciente deve entender para aplicar. Seguem abaixo algumas destas situações:
Ambiente obesogênico que estamos vivendo hoje
O aumento na disponibilidade principalmente de alimentos ultraprocessados (aqueles que passam por vários processos industriais – fáceis de identificar, pois tem muitos ingredientes desconhecidos na sua composição), a falta de tempo para cozinhar e o sedentarismo aumentam os índices de obesidade da população mundial. Para melhorar esse cenário, podemos focar no consumo de frutas, verduras e alimentos mais naturais; nos movimentarmos mais (ir a pé para o trabalho, substituir o elevador pela escada, utilizar a bicicleta como meio de transporte) e preparar e realizar as refeições em casa.
Respostas fisiológicas à perda de peso
O processo de emagrecimento deixou de ser apenas um cálculo matemático há alguns anos. O fato de gastar mais e ingerir menos, refletindo em um déficit calórico, é uma teoria que não está dando certo na prática por muito tempo. O peso corporal é regulado por circuitos hormonais e existem adaptações que podem aumentar o apetite e diminuir a saciedade, resistindo assim a perda de peso contínua e levando a dificuldades na manutenção a longo prazo. Para minimizar essa situação, o ideal são perdas graduais de peso para que dê tempo ao corpo realizar essas adaptações sem gerar prejuízos.
Conteúdo de macronutrientes (carboidrato, gordura e proteína) da dieta
Com relação a composição de macronutrientes, oscilações de carboidratos e gordura nos tipos de dieta não influenciam a perda de peso a longo prazo. Já a maior ingestão de proteínas pode oferecer benefícios na manutenção do peso.

Benefícios de longo prazo requerem atenção de longo prazo
Mudanças comportamentais de longo prazo e controle da obesidade requerem atenção contínua por profissionais da saúde (nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e médicos). Vários estudos mostram que a interação contínua com profissionais de saúde ou em grupos melhora significativamente a manutenção do peso e os resultados a longo prazo, em comparação com tratamentos que terminam após um curto período de tempo.
Prática de atividade física ajuda no manejo do gasto energético
Pessoas sedentárias apenas com mudança alimentar não conseguem manter o peso perdido por muito tempo. A inserção do hábito da realização de um esporte ou frequentar academia ajuda a otimizar o processo. Construir ciclos de treino com diferentes intensidades também pode ser uma estratégia efetiva.
Mudança nos hábitos de vida
Se o paciente não tem uma queima de gordura adequada, além da alimentação e falta de atividade física, outros fatores podem estar envolvidos. O envolvimento do metabolismo hormonal pode dificultar o processo, sendo que gatilhos como sono prejudicado, mal funcionamento do intestino, níveis altos de estresse, fumo, consumo de álcool, entre outros, podem influenciar negativamente a perda de peso. Procure melhorar esses hábitos e tenha um estilo de vida mais saudável.
Conclusão
O sucesso de uma dieta de emagrecimento vai muito além de comer menos! É necessária uma conscientização por parte do paciente que a mudança nos hábitos de vida deve ser feita a longo prazo e com supervisão profissional. Aproveitar e gostar do processo também reflete em resultados positivos na manutenção da perda de peso concreta e permanente.
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Referencias
- Hall KD, Schoeller DA, Brown AW. Reducing Calories to Lose Weight. JAMA. 2018 Jun 12;319(22):2336-2337. doi: 10.1001/jama.2018.4257. PMID: 29896621.
- Hall KD, Kahan S. Maintenance of Lost Weight and Long-Term Management of Obesity. Med Clin North Am. 2018 Jan;102(1):183-197. doi: 10.1016/j.mcna.2017.08.012. PMID: 29156185; PMCID: PMC5764193.