Não é preciso ser um especialista em emagrecimento para observar que as estratégias atuais contra a obesidade estão falhando. O mundo está obeso. Basta sair de casa, dar uma caminhada pela rua e observar os quilos extras nas pessoas. Porém, todos sabemos que a premissa básica para o emagrecimento é atingirmos de forma consistente um balanço energético negativo: “Emagrecer é simples: fecha a boca e faça mais exercício” ou “Coma menos e mova-se mais”. Não é tão simples assim…
Vejamos o seguinte cenário: o verão chegou e mais uma vez presenciamos o surgimento das dietas da moda prometendo emagrecimento. As “dietas da moda” possuem muitos nomes e surgem a todo momento. Ao olharmos para as suas diferentes faces identificamos facilmente algumas características em comum:
- São dietas imediatistas e prometem “milagres”;
- Não são personalizadas, são dietas prontas “de gaveta”;
- Não possuem respaldo técnico-científico;
- Possuem grande promoção nas mídias sociais sempre envolvendo depoimentos de celebridades e “gurus” por trás que enriquecem com essa indústria;
- Não se preocupam com a sua saúde e;
- São dietas muito restritivas em energia e micronutrientes.

Dieta da Moda: o que entregam?
Em curto prazo a perda de peso corporal ocorre: você chega “bem” para o verão e vai para a praia “sem medo”. O verão passa e o outono se apresenta. E o seu peso corporal? Esse estabiliza e chegamos ao famoso efeito “platô”. Como isso é possível se eu mantive a dieta? A resposta não é simples, podendo ter vários motivos. Nesse post irei explorar apenas um deles.
A premissa básica para o emagrecimento é o balanço energético negativo, ou seja, o gasto energético (energy out) deve ser maior do que o consumo energético (energy in) diário (energy out > energy in). O platô do peso corporal que se instalou no outono pode ser compreendido quando o Energy Out = Energy In. Nesse ponto, você já compreendeu que o platô do peso corporal NÃO possui relação APENAS com a dieta. Vamos assumir que você ainda está conseguindo sustentar e manter a “dieta da moda”. Como entender que a mesma dieta que me levava ao emagrecimento agora me leva ao platô do peso corporal? Pergunta pertinente.
O ponto central é que por mais que você “acredite” que ainda esteja seguindo o consumo de ~800 a 1000 Kcal/dia (“dietas da moda” são bem restritivas energeticamente) provavelmente não está. Como assim? Em uma perspectiva histórica da evolução da nossa espécie, a tentativa do organismo em reganhar o peso perdido após o emagrecimento seria algo como acionar o “módulo sobrevivência” ou o “módulo econômico” no momento de grande privação alimentar. Quando o consumo (energy in) está muito reduzido o seu organismo aperta o “botão de alerta”, algo como “está faltando comida!”. Nesse momento a fome se instala. O seu poder de decisão e autocontrole frente a comidas palatáveis diminui. Em um meio propício, meio obesogênico, você não resistirá e aumentará o energy in (adeus dieta).

Outro ponto que merece destaque é que o Energy In e o Energy Out são variáveis DEPENDENTES, um influencia o outro. Quando em “dieta da moda” além do organismo forçar você a comer mais ele diminuirá o seu metabolismo e o nível de atividade física, seja ela a espontânea ou da “academia” (queda no Energy Out). Na prática, é muito difícil manter o nível de atividade física comendo muito pouco durante semanas ou meses.
Todas essas adaptações que cursam com a “dieta da moda” eu denomino de “Colapso Metabólico”. Colapso metabólico: no intuito de tentar manter a homeostase do peso corporal o organismo adapta-se frente a importante restrição energética. Em momentos de privação alimentar há incrementos na produção do hormônio grelina e queda nas concentrações de leptina e insulina. Essas adaptações hormonais induzem fome (>Energy In; fator MAIS importante) e diminuem o gasto energético (<Energy Out; fator MENOS importante) dificultando a manutenção do balanço energético negativo e, assim, o seu emagrecimento. Quanto maior for o déficit energético diário imposto e, somados, a qualidade ruim dos alimentos ingeridos, essas adaptações ocorrerão mais fortemente, dificultando a progressão do emagrecimento.
Os mecanismos homeostáticos de controle (reganho) são adaptações biológicas persistentes, redundantes e potentes no intuito de induzir o reganho de massa corporal perdida inicialmente. Difícil de “combater” quando se faz “dietas da moda” com grande restrição energética ou quando de um “dia para o outro” o indivíduo quer sair de uma dieta de 4000 Kcal a base de “Junk Food” para ser “Fit” com dieta de 1200 Kcal comendo “salada”. Não vai funcionar!
Com o colapso metabólico instalado, o balanço energético negativo inicial (verão) passa a ficar neutro (outono) e o platô se instala.
Basicamente nesse post abordei aspectos sobre nutrição (Joia da Alma) e o exercício físico (Joia do Poder). Essa abordagem não explica o quão complexo é o modelo obesidade/emagrecimento, entretanto, ajuda a compreender o porquê do jargão “emagrecer é simples: fecha a boca e faça mais exercício” não funciona.
O emagrecimento sustentável é atingido quando dominamos as 6 Joias do Emagrecimento Definitivo: Joia da Alma/Nutrição; Joia do Poder/Exercício Físico; Joia da Mente/Sono; Joia do Tempo/Controle de Tóxicos; Joia da Realidade/Manejo do Estresse e a Joia do Espaço/Relacionamentos
#emagrecimento6joias
Prosseguiremos com a sua jornada do emagrecimento no próximo post. Até lá!
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