Por Que a Barriga Cresce no Período Pós-40, Climatério e Menopausa?
Por Que a Barriga Cresce no Período Pós-40, Climatério e Menopausa?

Por Que a Barriga Cresce no Período Pós-40, Climatério e Menopausa?

Avatar de Julia Leite Escrito por   | 25 de março de 2024

Ao adentrarmos na faixa etária dos 40 anos, muitas mulheres percebem mudanças significativas em seus corpos, e uma das mais notáveis é o aumento da circunferência abdominal. Esse fenômeno, que pode ser desconcertante para algumas, interferindo diretamente na sua autoestima e autoconfiança, está intrinsecamente ligado ao climatério e à menopausa, duas fases marcantes na realidade do ciclo de vida feminino.

A chegada do climatério na vida da mulher pode representar uma série de mudanças e desafios em diversas esferas de sua vida, interferindo em processos fisiológicos, psicológicos, emocionais e metabólicos. Esse período é definido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como “uma fase biológica da vida e não um processo patológico, que compreende a transição entre o período reprodutivo e não reprodutivo da mulher”, ocorrendo geralmente entre os 40 e 55 anos, não devendo ser considerado uma doença, mas sim um momento natural que pode apresentar obstáculos, mas também representa novas transformações e redescobertas na rotina feminina. Contudo, de acordo com um artigo da Revista Eletrônica Acervo Saúde de 2020, é nesse período que o corpo da mulher inicia a expressão de diversas variações graças à diminuição dos níveis hormonais de estrogênio e progesterona que permeiam as alterações endocrinológicas, biológicas, clínicas e psicológicas. Logo, com a chegada da menopausa que demarca o fim do período reprodutivo feminino, queda acentuada nos níveis de estrogênio reconhecida após 12 meses da cessão menstrual, a mudança na configuração corporal da mulher vira uma realidade tal qual pode representar o ganho de peso e o acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal (a denominada gordura visceral) que em maior desenvolvimento pode desencadear complicações cardiovasculares e disfunções metabólicas.

E por que isso ocorre? Diversos estudos científicos investigaram a relação entre o climatério e menopausa para com o ganho de peso e de gordura abdominal. Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) mostrou que mulheres na perimenopausa e na menopausa têm uma maior tendência a ganhar peso em comparação com as que estão em outras fases da vida. Isso é comprovado em um estudo realizado em 2020 que indica que numa população de 253 mulheres climatéricas, cerca de 66% estavam no sobrepeso ou obesidade. Isso ocorre, principalmente, pela queda do hormônio estrogênio que exerce um papel crucial não só nas funções no sistema reprodutivo feminino, mas também nos diferentes órgãos, como o fígado, os músculos esqueléticos e o tecido adiposo.

Dessa forma, o estrogênio interfere significativamente no equilíbrio metabólico e energético à medida que o seu decaimento a partir do climatério, aumenta a concentração de tecido adiposo na região central do corpo feminino, aumenta a resistência à insulina e também aliado a outros fatores, pode aumentar o estado pró-inflamatório no organismo. Logo, segundo um artigo publicado em agosto de 2023 que correlaciona os efeitos dos receptores de estrogênio sobre o metabolismo energético e a adiposidade, com a sinalização de insulina prejudicada, a diminuição da concentração de ácidos graxos e glicose no sangue também se vê prejudicada, estimulando a deposição de gordura e inibe a lipólise no tecido adiposo.

Outros agravantes para essa problemática são a diminuição da atividade física e aumento da ingestão calórica diária. De acordo com um estudo realizado pela Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia no ano de 2012, o perfil nutricional da mulher que está no climatério e menopausa é pobre em nutrientes e vitaminas essenciais para a melhora dos sinais e sintomas que podem surgir nesta fase, expressando um déficit proteico, baixa ingestão de fibras e carência de vitaminas e minerais como vitamina D e cálcio que são expressivamente necessárias para a saúde da mulher neste período. Além disso, o sedentarismo e a falta de exercícios físicos constantemente se torna outro fator que contribui para o ganho não só de peso, mas de gordura corporal, sendo um agravante para o desenvolvimento ou intensificação dos sinais e sintomas presentes nessa fase da vida.

Logo, a nutrição desempenha um papel crucial nessa fase, à medida que conseguem realizar uma avaliação personalizada considerando as necessidades nutricionais de cada mulher e os objetivos de saúde de cada paciente. Além disso, o nutricionista tem uma relação fundamental ao aconselhar sobre alimentos que podem ajudar a equilibrar os hormônios, como os alimentos fitoestrógenos e minimizar os sintomas desconfortáveis desse período da vida feminina.

Alguns alimentos, como a soja, as sementes de linhaça e o azeite de oliva, tem propriedades antioxidantes, que agem na promoção do equilíbrio hormonal e bem-estar, auxiliando na prevenção do ganho de peso, na saúde cardiovascular e metabólica. Dessa forma, um nutricionista pode educar as mulheres sobre esses alimentos e como incorporá-los em sua dieta.

Outros fortes aliados ao alívio dos sintomas dessa fase, incluindo o ganho de peso, são os chás, opções naturais e reconfortantes que são muito utilizados por sua praticidade, facilidade no preparo e eficácia. Como uma alternativa no alívio do inchaço corporal e retenção de líquidos que também causam desconforto e interferem na composição corporal da mulher nesse período, chás mais diuréticos podem ser uma alternativa fácil de ser implementada no dia a dia. O chá de hibisco ou cavalinha, por exemplo, podem ser utilizados com moderação em adequação a uma alimentação saudável e equilibrada, promovendo maior bem-estar e qualidade de vida à mulher que está nessa faixa etária.

Por fim, é muito importante enfatizar que a menopausa não precisa ser um período marcado pelo ganho de peso e alterações na composição corporal. Com o apoio de profissionais que possuem uma atenção integrativa, as mulheres podem adotar estratégias não só de alimentação saudável, mas em todo o seu estilo de vida, com a prática constante de exercícios, hidratação adequada e assistência psicológica, promovendo sua saúde física, mental e espiritual, enfrentando essa fase com muito mais confiança e vitalidade.


Sobre o autor

Julia Leite

Julia Leite

Nutricionista

Júlia Leite é Nutricionista há mais de 20 anos, mais de 6 especializações, apaixonada por alimentação e nutrir vidas. Instagram.com/julialeitenutricionista

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