Se no período menstrual você sente cólicas menstruais, TPM bem forte, possui coágulos menstruais, ciclo menstrual curto, fluxo de sangue menstrual elevado, hematúria (sangue na urina com frequência), dispareunia (dor na relação sexual) e não consegue engravidar, até mesmo sendo diagnosticada com algum quadro de infertilidade, te digo: este artigo é para você.
Vamos falar sobre a endometriose! Acredito que você já pode até ter ouvido falar sobre, mas a pergunta que não cala é: será que você tem? Será que você já fez a investigação necessária e de forma correta para o diagnóstico? Procurou um profissional correto para te ajudar nesses passos? Abordaremos abaixo, neste conteúdo, uma forma prática de guiar você, leitora, para uma investigação prática e rápida em busca de respostas sobre a endometriose.
Entendendo de uma vez por todas o que seria essa doença
Inicialmente, na literatura científica, observamos que a endometriose é o diagnóstico de uma doença crônica inflamatória, sendo originada pela teoria da menstruação retrógrada.
Como isso acontece? A ideia ilustrada originalmente se dá que o fluxo menstrual, em vez de ser liberado em sua totalidade pelo canal uterino até a vagina, partes desse material poderiam se acomodar no fundo do útero (endométrio) e outras estruturas adjacentes do aparelho reprodutor feminino (ovários e trompas).
As células presentes no sangue menstrual poderiam se instalar nos tecidos citados acima e realizarem uma espécie de “infiltração”, promovendo a formação de uma lesão e, por consequência, um alto processo inflamatório.
Porém, ainda mantendo a relevância dessa teoria, outras possibilidades passaram a serem comprovadas pela ciência a respeito da formação da endometriose, uma vez que publicações de estudos recentes mostram a presença dessa lesão em fetos.
Hoje, podemos afirmar que já existem vários genes que podem favorecer o surgimento dessa doença, diante do estilo de vida que é adotado pela mulher grávida, favorecendo com que ocorra uma programação metabólica fetal para o desenvolvimento da doença de forma precoce.
Além disso, a forma na qual a mulher se expõe ao seu meio ambiente, ainda que não tenha uma possível programação metabólica fetal para o desenvolvimento dessa síndrome, pode já ser o suficiente para favorecer o desenvolvimento desta alteração em seu aparelho reprodutor.
Importante ressaltar que endometriose é uma alteração completamente dependente do hormônio estrogênio. Logo, é considerado estrogênio dependente.

Mas como saber se posso ser portadora da endometriose ou não?
O grande passo inicial é observar os possíveis sintomas da doença, principalmente durante a fase menstrual. Infelizmente, para muitos profissionais, a mulher SENTIR CÓLICA, FICAR INCAPACITADA NO PERÍODO MENSTRUAL E TER QUE TOMAR GRANDES QUANTIDADES DE ANALGÉSICOS É NORMA, MAS DIGO A VOCÊ QUE ESTÁ LENDO ESSE TEXTO: ISSO NÃO É NORMAL.
Sintomas:
- cólicas,
- volume menstrual aumentado,
- mais de 5 dias menstruada,
- sangue menstrual mais escuro durante todo o processo,
- presença de coágulos menstruais,
- TPM muito exacerbada,
- dor durante a relação sexual,
- funcionamento intestinal alterado durante o período menstrual (episódios de diarreia),
- dores nas costas durante a menstruação (lombar),
- dores articulares (joelhos),
- dores no ombro durante o período citado acima,
- ciclo menstrual total abaixo de 28 dias,
- dores nas mamas no período menstrual no qual fique extremamente sensíveis.
Mas chamamos atenção para um fator: endometriose pode ser praticamente assintomática. Dependendo do local em que ela se encontra, muitas mulheres podem não apresentar a maioria dos sintomas citados acima.
É possível então descobrir se tenho endometriose através de exames de sangue ou imagem?
Os exames de imagem sem dúvidas seriam as melhores opções para fechamento do diagnóstico da endometriose, mas cabe ressaltar dois pontos muito importantes para que tenhamos sucesso nessa investigação:
1° ponto: o profissional que vai realizar/laudar os exames, preferencialmente, tenha especialização na detecção de doença do aparelho reprodutor feminino por exames de imagem;
2° ponto e talvez o mais importante: a forma de se preparar para realizar o exame! Sabia que é necessário fazer a preparação correta para realização do exame? Pois bem, é primordial que seja feito o que chamamos tecnicamente de “preparo intestinal”. Isso consiste em usar laxante e possivelmente uso de supositório de glicerina um dia antes do exame ou até mesmo no dia que será realizado o mesmo. Ao fazer uma “limpeza” de resíduos no intestino, o profissional que avaliará o exame conseguirá de forma clara ter uma visualização correta das alterações presentes (lesões).
Normalmente, os exames de imagem menos invasivos seriam ressonância magnética de pelve com preparo intestinal para pesquisa de endometriose profunda ou transvaginal com preparo intestinal para pesquisa de endometriose.
Pode ser realizado o exame histeroscopia “endoscopia uterina”, porém, esse requer que o paciente faça em âmbito hospitalar, sendo necessária a sedação.
Exames de sangue podem ser menos eficientes, mas são importantíssimos para complementar o fechamento do diagnóstico e poderão ajudar no tratamento. Solicitar a curva de progesterona na fase lútea pode ser um ótimo rastreamento da endometriose, além disso, verificar se os níveis de estradiol não estão ficando elevados demais (fora dos seus limites bioquímicos) nas fases do ciclo menstrual, principalmente fora da fase ovulatória.
Existe um marcador bioquímico no qual chamamos de CA-125. É uma proteína dosada através dos exames de sangue e que poderia ser um possível índice de rastreamento para endometriose, porém ele é usado para analisar outras doenças especificamente do aparelho reprodutor feminino, até mesmo o câncer, porém há um alto índice de verificar esse marcador alterado e na verdade não ter nenhuma significância clínica, ou seja, altas chances de ter o CA-125 alterado e não ter nenhuma condição de doença associada e ele. Isso faz com que, cada vez mais, não seja utilizado com tanta frequência.

Deixe-nos mostrar a você um caminho natural para o alívio da endometriose. Assista ao vídeo e descubra mais!
Quais são os riscos que a endometriose poderia oferecer para a saúde da mulher?
É uma lesão que pode ir aumentando com o tempo, acentuar a inflamação presente e o mais preocupante, pode se aderir a outros órgãos que estão próximos e também distantes do aparelho reprodutor, dentre eles:
- Intestino;
- Bexiga;
- Diafragma;
- Apêndice.
Existe mais de um tipo de endometriose?
A endometriose pode ser encontrada em outros locais que não seja o endométrio. A endometriose como nós a conhecemos fica no endométrio (fundo do útero). Podemos encontrar a endometriose no músculo uterino, conhecida como adenomiose (responsável pelos maiores quadros de dores no período menstrual). E, quando ela está localizada no tecido ovariano, podemos chamar de endometrioma.
Principais alterações no metabolismo da mulher com endometriose?
Algumas repercussões negativas, além das quais já foram citadas no início do texto, podem também estar presentes na mulher que porta endometriose.
Anemia recorrente (devido ao fluxo menstrual aumentado), prostração, fadiga, dores de cabeça, dores nas costas, alteração da função intestinal (tanto constipação quanto quadros diarreicos) e redução dos níveis de progesterona.
Alguns estudos mais recentes que foram publicados começam a relacionar uma baixa reserva ovariana em mulheres que possuem a doença.
Incapacitação da mulher pela endometriose
Aqui está algo muito importante e que vale a pena ser falado: estudos mais recentes mostram que as mulheres que portam essa doença podem perder mais de 9 horas úteis de trabalho por mês, devido às dores geradas pela doença. Além disso, pode permitir que a vida profissional seja completamente prejudicada e até mesmo pessoal (cuidados domésticos, cuidados com os filhos e outras coisas).
Epidemiologia
As últimas pesquisas mostram que a endometriose é uma das doenças mais comuns atualmente entre as mulheres. Aproximadamente 10% das mulheres no mundo são portadoras de endometriose. Pensando desta forma, são milhões de mulheres no mundo portando a doença.
O mais preocupante é, já estipulado na ciência, que o fechamento do diagnóstico da doença leva em média 9 anos após o aparecimento do primeiro sintoma, ou seja, estamos falando de quase uma década para mulher descobrir que é portadora de uma síndrome e que, desde o primeiro momento, já poderia ter sido rastreada e tratada.
Infertilidade e endometriose

Hoje sabe-se que a doença pode incapacitar a mulher quanto a possibilidade de uma gestação bem-sucedida. A mulher saudável, tendo seus níveis hormonais adequados, ciclo menstrual adequado, em ótima fase reprodutiva, obtendo relação sexual no período correto do ciclo e seu parceiro estando completamente saudável, pode apresentar taxas de sucesso para uma gestação natural de 15 a 20%.
Já uma mulher que possua endometriose pode reduzir essas chances para 10 a 15% de sucesso, além de que estudos mostram que as mulheres portadoras dessa síndrome poderiam levar de 6 meses a 1 ano para conseguir engravidar quando comparado ao tempo que uma mulher sem endometriose levaria para ter o seu “positivo”.
A depender da localização da lesão, principalmente instalada no endométrio, é baixíssima a chance de uma possível gestação, pois as possibilidades de um processo de nidação (quando o embrião se fixa no tecido endometrial) são baixas e, caso aconteça, poderá ter chances da perda gestacional.
Outro ponto recentemente publicado pela literatura seria que o espermatozóide poderia ter um comprometimento na sua motilidade (movimentação) em um ambiente com a presença de endometriose, fazendo com que as chances da fecundação possam reduzir significativamente.
Endometrite – Perigo eminente juntamente da endometriose.
A endometrite é uma inflamação gerada no endométrio devido a endometriose (lesão), mas também por outros motivos como clamídia, DST’s e outros. Muitas das vezes, a mulher até mesmo depois de cirurgicamente retirar os focos de endometriose, poderá portar a endometrite. Na maioria dos casos é assintomática, podendo se tornar difícil o rastreio dessa alteração, mas que pode ser a causa de abortos recorrentes ou até mesmo infertilidade.
Estudos mostram que a endometrite pode estar presente em 50% dos casos das mulheres que portam endometriose.
Sintomas como dispareunia (dor na relação sexual), corrimento com coloração amarelada e odor forte e inflamação crônica (dores) na região pélvica.
Células NK (Natural Killers) e Endometriose.
Estas células presentes em nosso sistema imunológico se fazem fundamentais para que ocorra o processo e implantação do embrião. Porém temos dois tipos destas células NK: a que favorece o processo de implantação embrionário como mencionado acima, mas temos a outra forma dessas células que podem atrapalhar o processo de desenvolvimento embrionário.
Logo, a mulher portadora de endometriose poderia ter maior atividade das células NK citotóxicas no endométrio (classe “ruim” destas células) podendo não permitir um possível processo gestacional.
Formas de tratamento
Graças ao avanço da medicina, hoje, detemos inúmeros tratamentos para a endometriose:
- Cirúrgico: através do vídeo laparoscopia é possível retirar os focos de endometriose do aparelho reprodutor;
- Não invasivo/Hormonal: muitos hormônios podem ser utilizados para conter a inflamação, tamanho e dor originada pela endometriose. Progesterona e Gestrinona.
- Medicamentos: Zoladex (Acetato de gosserrelina) e Alurene (Dienogeste).
Importante ressaltar que se torna OBRIGATÓRIO o acompanhamento médico especialista em endometriose para tomada de qualquer decisão quanto ao tratamento da doença. Não se automedique em hipótese alguma para tentar solucionar o quadro da endometriose.
PERIGO! Anticoncepcional oral (AOC) e Endometriose.
Aqui vai um alerta para as mulheres que tomam anticoncepcional oral. Sabemos que a endometriose é uma doença dependente de estrogênio, logo, as pílulas orais, em sua maioria, são a base deste hormônio, podendo favorecer o aumento ou até mesmo surgimento da doença quando utilizadas sem necessidade.
Um detalhe que nós profissionais nos deparamos e muito com a prática clínica seria que as mulheres que tomam os famosos AOC apresentam o intuito de controlar o ciclo menstrual e até mesmo reduzir os quadros de dores apresentadas durante o período menstrual.
Mas, se essas desordens podem ser geradas pela endometriose, as pílulas poderiam piorar o quadro da doença a longo prazo.
A nova era do tratamento coadjuvante da endometriose: a nutrição.
Muito tem se estudado sobre as novas maneiras de conseguir melhorar a qualidade de vida da mulher com endometriose e, não apenas isso, mas procurar reduzir as possíveis consequências metabólicas que a doença possa ocasionar no corpo.
- Alimentos como: industrializados, processados, ultraprocessados, carne vermelha, trigo, glúten, açúcar e gorduras saturadas, são alimentos que podem agravar a inflamação já presente no aparelho reprodutor, ocasionada pela doença;
- Suplementos: ômega 3, resveratrol, chá verde, vitaminas C, D e E, CoQ10, cálcio, magnésio, podem ser fortes aliados para reduzir o processo inflamatório;
- Alimentos funcionais: chás como chá verde, chá de gengibre, uxi amarelo, unha de gato e agnus-castus.
O plano alimentar mais indicado para a paciente que possui endometriose seria o “Plano Alimentar do Mediterrâneo”. Apesar de ser um estilo de vida que não é estudado com brasileiros, podemos facilmente seguir o seu padrão, sem a menor dificuldade.
Essa metodologia de padrão alimentar vem sendo considerada a mais saudável de todo o mundo por vários anos seguidos. Possui forte papel anti-inflamatório para a nossa saúde.
Consiste em evitar alimentos industrializados, açúcar, farinhas, doces, carnes processadas e vermelhas.
Por um outro lado, estimula o consumo de vegetais, frutas, oleaginosas (castanhas), carboidratos integrais de verdade (mandioca, batata, cará, inhame, abóbora), ovos (com moderação), lacticínios com moderação e carne preferencialmente branca. Conseguimos muitas vezes ter acessos a todos esses alimentos no Brasil e nos alimentarmos de forma saudável.
Espero que a leitura possa ajudar muitas mulheres a terem melhor qualidade de vida e que consigam ter a chance de tratar dignamente a endometriose, caso seja portadora.
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