Os Perigos Relacionados Ao Desequilíbrio Do Cobre - Novidade Saudável

Os Perigos Relacionados Ao Desequilíbrio Do Cobre

Avatar de Mateus Kurek Pagliosa Escrito por   | 05 de julho de 2022

O cobre é um mineral necessário para a formação de hemoglobina, colágeno e enzimas, e importante para o metabolismo energético, síntese de DNA e respiração. Suas funções se estendem para a contração do músculo cardíaco e desenvolvimento do cérebro, sendo um elemento essencial para mulheres grávidas e para o desenvolvimento fetal e infantil.

Neste artigo, trouxemos informações sobre a importância de manter este micronutriente em níveis ideais no organismo, bem como suas principais funções e maneiras de obtê-lo por meio da alimentação.

Confira!

O Que É O Cobre?

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O cobre é um mineral presente de maneira ampla na natureza, essencial para todos os seres vivos em pequenas quantidades. No organismo, suas maiores concentrações estão localizadas nos órgãos que apresentam maior atividade metabólica, como fígado, rins, coração e cérebro.

O principal papel do cobre para a saúde é seu auxílio na formação da hemoglobina e do colágeno, bem como sua contribuição para o funcionamento adequado de muitas enzimas e proteínas envolvidas no metabolismo energético, síntese de DNA e respiração.

Especificamente, é um cofator para várias enzimas conhecidas como “cuproenzimas”, as quais participam da produção de energia, metabolismo do ferro, ativação de neuropeptídeos, síntese do tecido conjuntivo e síntese de neurotransmissores. Uma cuproenzima abundante é a chamada ceruloplasmina, que atua no metabolismo do ferro e carrega mais de 95% do cobre total no plasma.

O cobre também está envolvido em muitos processos fisiológicos, como a regulação da expressão gênica, desenvolvimento do cérebro, funcionamento do sistema imunológico e defesa contra o estresse oxidativo – sendo que a defesa contra o dano oxidativo depende principalmente das enzimas superóxido dismutases que contêm cobre.

Conforme a evolução natural, o corpo humano desenvolveu mecanismos internos para gerenciar os níveis de ingestão deste nutriente indispensável, que precisa ser mantido em níveis moderados.

A homeostase do cobre é imprescindível, já que tanto em baixas quanto altas quantidades, pode causar problemas graves. Quando não ligado a outros elementos, o cobre se comporta como um oxidante potente, catalisando a formação de radicais hidroxila altamente reativos, causando danos ao DNA, proteínas e lipídios. Já sua deficiência pode levar a problemas de saúde como anemia, problemas cardíacos e circulatórios, anormalidades ósseas e complicações no funcionamento dos sistemas nervoso e imunológico, pulmões, tireóide, pâncreas e rins.

Vale destacar que a homeostase anormal do cobre também pode ser o resultado de mutação genética, envelhecimento ou influências ambientais.

Benefícios Relacionados Ao Cobre

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Energia e Metabolismo

Como comentamos, um dos principais papéis do cobre no organismo é o apoio à atividade enzimática. Com relação ao metabolismo, esta função afeta cerca de 50 reações enzimáticas metabólicas distintas.

O cobre é um regulador dos processos de quebra da gordura ingerida, o que favorece diretamente a manutenção do peso corporal e dos estoques de energia.

O cobre é um elemento que parece ser importante para a síntese de ATP (trifosfato de adenosina), pois auxilia o funcionamento das mitocôndrias – conhecidas como a usina de energia das células. Desta forma, é possível que sem níveis adequados de cobre, efeitos como letargia e cansaço sejam muito mais comuns.

Vale lembrar que ele também colabora com o uso do ferro no organismo, que também possui papel importante na manutenção dos níveis de energia. Além disso, o cobre ajuda a liberar o ferro no fígado, o que reduz a chance de anemia e seus sintomas, como a fadiga.

Imunidade

Para o sistema imunológico, o cobre também é importante. Na verdade, a ligação entre o cobre e a função imune inata é reconhecida há décadas. Geralmente, sua contribuição para a imunidade ocorre por sua participação no desenvolvimento e diferenciação de células imunes e por suas propriedades antifúngicas.

Dietas com baixas quantidades de cobre podem tornar o organismo mais suscetível à infecção, prolongar a duração de infecções e aumentar as taxas de mortalidade.

Estudos mostram que a deficiência de cobre diminui a eficiência dos neutrófilos (um tipo de glóbulo branco), prejudica de forma semelhante os macrófagos, e aumenta as chances de infecções bacterianas.

Além disso, estudos sugerem que as propriedades tóxicas do cobre são aproveitadas pelo sistema imunológico inato do hospedeiro para matar bactérias, e indicam que mais pesquisas podem ser realizadas sobre este efeito. No entanto, isso não quer dizer que seu excesso seja benéfico para a saúde.

Tecidos

O cobre é um mineral importante para quase todos os tecidos do corpo. Seu potencial antioxidante beneficia a saúde dos tecidos, incluindo a prevenção da degeneração macular e a manutenção da aparência e saúde da pele e otimização de processos de cura de feridas.

Vale lembrar que, dentre as proteínas beneficiadas pelo cobre, está o colágeno, que contribui de maneira crucial para a saúde estrutural do corpo. Além disso, o cobre também participa da formação da melanina, que melhora a textura e a pigmentação da pele, unhas e cabelos – ajudando até mesmo na prevenção do surgimento de fios grisalhos.

A ação do cobre no organismo também promove o fortalecimento dos ossos. Isso acontece através do processo de mineralização e formação óssea, favorecendo também a saúde do tecido conjuntivo. Por isso, a deficiência de cobre pode comprometer a saúde óssea, causando problemas como a osteoporose e o aumento das chances de fraturas.

Um estudo avaliou que idosos com baixos níveis de cobre no sangue tiveram um aumento significativo na incidência de fraturas do colo do fêmur em comparação com controles da mesma idade.

Há também uma série de estudos iniciais que sugerem que uma dieta deficiente em cobre na infância, seja pela baixa ingestão ou dificuldades de absorção, pode levar a ossos quebradiços, resultando em fraturas, formas de osteogênese imperfeita e osteoporose.

Um estudo relatou que bebês com síndrome do intestino curto e colocados em nutrição enteral prolongada desenvolveram osteoporose e alterações metafisárias, indicando que baixos níveis de cobre na alimentação por nutrição parenteral e diarreia foram as causas mais prováveis, e que a suplementação com cobre melhorou ou reverteu os distúrbios ósseos.

Outro estudo relatou anormalidades esqueléticas em bebês prematuros apresentando depressão sérica de cobre e ceruloplasmina. A suplementação de cobre reverteu essas anormalidades.

Crescimento e desenvolvimento

Assim como outros minerais, o cobre é um micronutriente indispensável durante o período de gravidez e desenvolvimento de crianças, já que nestas fases, a proliferação e a diferenciação celular são muito ativas.

Estudos mostram que níveis de cobre abaixo do ideal podem levar a sérias consequências, como maior risco de problemas mentais, hipertensão e obesidade, os quais podem persistir na vida adulta.

Além disso, a deficiência de cobre na alimentação de mulheres grávidas e lactantes causa uma falta de atividade de cuproenzimas, complicações relacionadas ao desenvolvimento saudável e, até mesmo, morte entre fetos ou filhos nos estágios pós-natais iniciais [ 21 , 22 ].

É importante mencionar que, em recém-nascidos, os mecanismos para excretar cobre pela bile e controlar a absorção de cobre no intestino delgado não funcionam. Portanto, uma nutrição inadequada pode causar desequilíbrio deste mineral nos estágios iniciais do desenvolvimento pós-natal. 

Cérebro

Os benefícios do cobre para o cérebro começam desde o início da vida, quando beneficia a formação e desenvolvimento neural e cerebral, até a longevidade.

Depois do fígado, o cérebro é o segundo órgão que mais acumula o cobre. Este mineral otimiza a biossíntese de neurotransmissores e o funcionamento de vias neurais, responsáveis pela capacidade de pensamento e raciocínio. Além disso, também auxilia na proteção contra danos oxidativos.

Não é à toa que sua carência está associada a complicações como diminuição do potencial cognitivo e Alzheimer. No entanto, altos níveis de cobre também foram encontrados nos cérebros de pessoas com Alzheimer e Parkinson, o que reforça a importância da manutenção dos níveis ideais deste micronutriente.

Em uma meta-análise de 10 estudos em 867 indivíduos saudáveis ​​e 599 com Alzheimer (idade média superior a 70 anos em ambos os grupos), os pacientes com Alzheimer tinham níveis séricos significativamente mais elevados de cobre do que aqueles que demonstraram estar saudáveis.

Em uma meta-análise de 26 estudos em um total de 1.058 pacientes com Alzheimer e 932 controles, aqueles com Alzheimer tinham níveis significativamente mais elevados de cobre sérico do que os indivíduos saudáveis ​.

Embora a relação entre a exposição de metais pesados e Parkinson seja conhecida há muito tempo, a influência específica do cobre no desenvolvimento desta complicação tem sido explorada mais recentemente.

Uma revisão científica destacou a importância da homeostase do cobre para a prevenção deste problema, e indica que novos caminhos terapêuticos e, até mesmo, de novos medicamentos modificadores da doença, podem ser influenciados pelo conhecimento do papel do cobre relacionado ao Parkinson.

Riscos Do Desequilíbrio Dos Níveis De Cobre

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Como vimos, tanto a deficiência quanto o excesso de cobre no organismo é, definitivamente, prejudicial. Conheça as principais consequências relacionadas com estes dois problemas.

Sintomas e problemas relacionados à deficiência de cobre

A deficiência de cobre pode acarretar em uma série de complicações, as quais incluem:

  • Problemas na formação de glóbulos vermelhos e consequente problemas no transporte de oxigênio do corpo
  • Fadiga
  • Baixos níveis de energia
  • Palidez
  • Anemia
  • Baixa temperatura corporal
  • Fraqueza óssea
  • Inflamação da pele
  • Perda de cabelo
  • Desequilíbrio do sistema imunológico
  • Dor em músculos e articulações

Sintomas e problemas relacionados ao excesso de cobre

O excesso de cobre, por meio da ingestão ou exposição crônica, pode resultar em problemas como:

Danos ao fígado e sintomas gastrointestinais, como:

  • Dor abdominal
  • Cólicas
  • Náuseas
  • Diarreia
  • Vômitos

Além de:

  • Maior chance de câncer (incluindo próstata, mama, cólon, pulmão e cérebro)
  • Insuficiência renal

Outras complicações relacionadas ao cobre

A toxicidade do cobre já foi relatada a partir do consumo de água com altos níveis de cobre, advinda de tubulações e acessórios que contêm cobre.

Uma condição autossômica recessiva chamada doença de Wilson também eleva o risco da toxicidade causada pelo cobre, pois impede que o corpo remova seus excessos. Como consequência, são verificados níveis elevados de cobre nos tecidos, resultantes de uma depuração comprometida. Outros efeitos colaterais desta complicação envolvem danos neurológicos e hepáticos, podendo resultar em cirrose, bem como crise hemolítica e insuficiência hepática.

Outra condição genética relacionada ao cobre é a chamada doença de Menkes, que não permite que o corpo absorva o cobre adequadamente, e pode gerar problemas como perda ou ganho de peso, comprometimento do crescimento e desenvolvimento, fraqueza muscular, deficiência intelectual, convulsões, queda facial e cabelos cacheados, finos e descoloridos.

Alimentos que colaboram com a ingestão ideal de cobre

Normalmente, uma dieta equilibrada já fornece cobre suficiente para você atingir a dose diária, dispensando a suplementação – que deve ser realizada somente sob orientação profissional.

Confira alguns alimentos que podem ser incluídos na dieta e contribuir com boas quantidades deste micronutriente para o equilíbrio da saúde:

  • Fígado de boi
  • Ostras
  • Chocolate amargo
  • Castanha de caju
  • Sementes de girassol
  • Grão de bico
  • Lentilha
  • Abacate
  • Couve
  • Espinafre
  • Aspargo

Sobre o autor

Mateus Kurek Pagliosa

Mateus Kurek Pagliosa

Mateus Kurek Pagliosa é escritor, curioso e pesquisador de informações úteis para o bem-estar físico e mental. Analisa artigos científicos e participa de palestras e eventos voltados para a nutrição funcional, saúde e qualidade de vida. Está envolvido com a produção, revisão e supervisão de conteúdo divulgado pelo Novidade Saudável.

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